Foi com uma prestigiada festa, no Mezanino 2 do Espaço Cultural, em João Pessoa, que o presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), Maurício Burity, inaugurou a Escola Especial de Música Juarez Johnson e reabriu a Oficina-escola de Lutheria Professora Isabel Burity, no final da manhã desta sexta-feira (25).
A solenidade teve início por volta das 11 horas com a presença do secretário de Educação e Cultura do Estado, Sales Gaudêncio, do subsecretário de Cultura, David Fernandes, e da primeira-dama, desembargadora Fátima Bezerra Maranhão. Também estiveram presentes a ex-primeira-dama, professora Glauce Burity, e irmãos do ex-governador Tarcísio Burity e da professora Isabel Burity, Luiz, Ruth e Maria José.
Em seu breve pronunciamento, Maurício falou do esforço para restaurar todas as atividades que fazem parte do complexo cultural da Funesc e destacou a importância da Escola Especial de Música como um serviço destinado a abrir horizontes para o portador de necessidades especiais e uma iniciativa de longo alcance humano e social.
"Com a inauguração desta Escola de Música o Governo do Estado entrega ao povo mais uma obra de grande importância, pois a interação aluno-sociedade é, sem dúvida, muito importante para o desenvolvimento de uma comunidade", declarou o presidente da Funesc.
Em seguida, o secretário Sales Gaudêncio enalteceu a iniciativa da Funesc como sendo um "grande gesto de cidadania e prestação de serviço que vem fortalecer a educação dos nossos jovens no campo da música", e destacou o empenho de Isabel Burity nas três orquestras do Espaço Cultural.
"Nós parabenizamos este gesto e prometemos zelar e continuar reativando o Espaço Cultural, que é um instrumento importante para o desenvolvimento da cultura paraibana", garantiu o secretário de Educação e Cultura do Estado.
Após os discursos, Orquestra Sinfônica Infantil da Paraíba, sob a regência da maestrina Norma Romano, executou peças clássicas e populares, entre elas "Adágio expressivo", obra de autoria do ex-governador Burity, sob o pseudônimo T. Virgillius.
Uma Escola especial
Na sequência, os convidados foram até a Escola Especial de Música Juarez Johnson. Conheceram alguns dos futuros alunos e apreciaram o talento do jornal William Veras, um deficiente visual que está sendo apontado como a grande revelação da música erudita de João Pessoa. Em nome dos alunos, o pequeno Anthony, de 8 anos, fez um agradecimento ao Governo do Estado e à Funesc pela iniciativa.
A Escola Especial de Música Juarez Johnson irá ensinar crianças de 1 a 11 anos de idade, carentes e/ou portadores de necessidades especiais, teoria e prática musical. Se não for a única, é uma das poucas escolas de música do Brasil a aceitar crianças portadoras de necessidades especiais.
A primeira turma já está formada. As aulas começam terça-feira que vem. O projeto é coordenador pela professora e violoncelista Patrícia Johnson. A escola é dirigida por Antônio Ramos.
Fábrica de instrumentos
A Oficina-escola de Lutheria Professora Isabel Burity passou os últimos 15 anos subtilizada. Agora, volta a fabricar instrumentos musicais e a ensinar jovens paraibanos o oficio do luthier, um fabricante artesanal de instrumentos. Um diferencial da lutheria do Espaço Cultural é que ela é uma das poucas no país que trabalha com instrumentos eruditos.
Sob a coordenação de João Batista de Lima e os ensinamentos do luthier Félix Gonçalves, a escola começa a receber, já na próxima semana, candidatos ao curso de assistente de luthier, voltado a alunos de escola pública.
Durante a reabertura da lutheria, a escritora Maria José Teixeira Lopes Gomes doou dez exemplares do livro "Isabel Burity - A Musicista da Paixão", de sua autoria, ao acervo da Lutheria que leva o nome da professora e musicista.
Pianista cego é revelação na música erudita da PB
Durante a inauguração da Escola Especial de Música Juarez Johnson, o estudante William Veras, de 15 anos, executou duas músicas ao piano. Ele é deficiente visual, portador de glaucoma congênito, assim como os irmãos Felipe, 10, e Gabriela, 18, que também se interessaram cedo pela música.
William também é pregador da Igreja Assembléia de Deus e cantor. Já gravou cinco CDs. Durante cinco anos, apresentou um programa infantil de rádio e atualmente é um dos apresentadores de um programa de TV, numa emissora local, aos sábados.
Mesmo fora da faixa-etária aceita pela escola Juarez Johnson, o talento de William despertou o interesse e admiração dos professores da escola de música para alunos portadores de necessidades especiais e ele acabou sendo convidado a integrar a primeira turma da escola.
Lá, William, que já toca teclado, vai aprender piano clássico. "A música representa a minha vida porque eu já nasci com esse dom", comenta William. A mãe do músico, Geny Veras, diz que o filho tem um dom. "É um dom que ele gosta muito. Para deficiente visual, então, a música é muito importante, porque preenche o dia a dia. É a paixão dele", confirma.
Fonte: Da Assessoria de Imprensa da Funesc