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Flávio José



Parafraseando o filme: “O artista é para o que nasce!”.

Carisma de poeta-cantador e talento de sanfoneiro-compositor na alma de um forrozeiro nato... Esse é FLÁVIO JOSÉ, matéria-prima da melhor tradição musical nordestina. Mais de 30 anos desafiando o princípio ativo da modernidade globalizada: a contradição cultural.

Forrozeiro, que com seu estilo “vintage” de cantar, interpretar e tocar acordeon, consegue se manter autêntico, atemporal e original, fazendo um “FORRÓ PREMIUM”, ao mesmo tempo chique e popular. Naturalmente óbvio e simples, o que não quer dizer fácil...

É um verdadeiro artesão do forró, sucesso tanto junto à elite estética minimalista quanto nas camadas populares. Um artista com raiz, que se reconhece pela seiva, pelos frutos do seu trabalho e pela semente que propaga. Alquimista cultural, musicalmente regional, sem ser sonoramente folclórico.

Talento diferenciado, capaz de reprocessar sonoridades orgânicas, impregnadas n’alma nordestina, e de colocá-las em sintonia fina com o “design temático” da filosofia popular, sem perder o foco da música sensorial de massa, sensível ao mercado.

Há tempos é um nome de prestígio no cenário do forró brasileiro. Apesar do perfil “no media” que cultiva, trafega com desenvoltura e humildade entre o “TOP” e o “POP” do forró clássico, fazendo da sua identidade musical a marca registrada da sua personalidade artística.

É um importante ELO na corrente genealógica que une os ídolos do presente aos ícones de sempre. Fazendo o ECO de LUIZ GONZAGA e JACKSON DO PANDEIRO ultrapassar DOMINGUINHOS e chegar aos novos aboiadores do asfalto.



A CARREIRA



Se é verdade que “vida boa não dá boa música”, FLÁVIO JOSÉ MARCELINO REMÍGIO é um predestinado. Nascido em Monteiro, na região do cariri paraibano, teve uma vida sofrida e difícil. Precoce, já aos 7 anos revelou vocação para tocar acordeon. Aos 10 anos, seguindo o tino dos instrumentistas nordestinos, viu no “céu da boca o chão das estrelas do forró” e passou a cantar e a estar onde o povo estava. Sempre acompanhado da sua sanfona de 24 baixos.

Após descobrir que no mundo tem gente para tudo e sobra sempre um para CANTAR a história, FLÁVIO deixou a carreira de fiscal do Banco do Brasil e seguiu a vida caminhando e cantando. Transformando paciência na vitamina da sua persistência, percorreu o circuito das bandas-baile, aperfeiçoando sua formação. Brilhou nos Tropicais de Monteiro até chegar ao vôo solo.

Hoje, 8 LPs, 15 CDs, milhares de shows e eventos depois, tem uma carreira consolidada. Reverenciado como o “rei” do xote e do forró romântico dançante, considera-se apenas um “Dom Quixote”. Tal qual o personagem de Miguel de Cervantes, lutando contra as engrenagens robotizadas dos moinhos do forró industrial. Verdadeiras linhas de montagem a produzir, em série, “forró eletrônico” para consumo de massa. A tal “modernidade” atrasando o progresso da humanidade!

Aclamado desde o primeiro LP, mas sobremaneira a partir do primeiro CD “NORDESTINO LUTADOR”, de 1994, até “O POETA CANTADOR” (2005), FLÁVIO JOSÉ comprova ser um “HIT-MAKER”. Daqueles que tem explícita preferência pela criatividade sobre o conhecimento e usa os dois a serviço do sentimento poético-musical. Como conseqüência, em seus shows é grande a participação do público, cantando em coro praticamente todas as músicas.



O CANTOR

 Intérprete por excelência da boa música romântica de diversão, o “bardo caririzeiro” sempre valorizou seus parceiros, sendo porta-voz de compositores do nível de Petrúcio Amorim, Accioly Neto, Maciel Melo, Dorgival Dantas, Pinto do Acordeon, Jorge de Altinho e Flávio Leandro, entre tantos.

Reconhecido tanto pelos timbres da voz como do acordeon, que formam, numa sinergia musical, sua matriz sonora, FLÁVIO JOSÉ, com seus arranjos simples e diretos, comprova que “cantar é essencial, e o essencial vem da alma, é inaudível aos olhos”.

Sua estética vocal não é uma técnica ou atitude estudada, é uma decorrência genética da peculiar morfologia do seu aparelho fonador. Característica exclusiva que o torna um cantor dificilmente imitável.

Voz afinada e possante, afiada e límpida. O TENOR das Caatingas Nordestinas tem tessitura e extensão de voz incomuns. Dotes que lhe permitem cantar sem o menor esforço, percorrendo de maneira confortável as melodias, expandindo as notas longas com a mesma naturalidade com que manipula as notas do acordeon.

O canto nele é vivo. Seu som é vivido, pois suas raízes poéticas, musicais e etnológicas são as mesmas do seu povo. No passado esteve presente no aboio dos vaqueiros, no canto das rezadeiras, das lavadeiras e dos cantadores de viola e hoje se universaliza na voz e no ritmo da sua música.


Fonte: www.flaviojose.com.br


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